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Foto: https://www.letras.ufmg.br

 

HELTON FESAN
( BRASIL - SÃ0 PAULO )

Helton Fesan nasceu em São Paulo em 1975 e reside atualmente no ABC paulista. Advogado militante, com pós-graduação em Docência do Ensino Básico e Superior, leciona no curso de Direito Educacional da Faculdade Anchieta. É também Diretor de Comunicação e Marketing da OAB de Santo André-SP e sócio da Machado & Fesan Consultoria Empresarial Ltda. Membro do movimento negro, integra a Comissão de Advogados pela Afro-Descendência – CAAD.

Agitador cultural envolvido na produção de roteiros cinematográ-ficos e eventos teatrais e musicais, Fesan desenvolve e participa de projetos voltados para a promoção da igualdade racial. Um deles é o Núcleo Esmeralda, do EDUCAFRO, no qual o autor leciona, desde 2002, a disciplina Cidadania para a área de Políticas Públicas. Em 2004, a partir da vivência com grupos de Rap da periferia, idealizou e coordenou o Movimento Social Hip-Hop no Mundo de Deus, que contou com mais de 20 grupos e cerca de 100 jovens da periferia de Santo André e São Bernardo do Campo.

O autor iniciou sua atividade literária em 2003, com a publicação de dois contos no volume 26 dos Cadernos Negros, tendo participado também dos números 27, 28, 29 e 30, bem como da edição comemorativa dos 30 anos de existência da série. Publicou ainda na revista Palmares e atuou como crítico de cinema no periódico eletrônico Cineimperfeito. No campo da dramaturgia, é autor da peça Acorda Valdeci! Acorda!, encenada pelos alunos do EDUCAFRO sob a direção de Marcos Xavier.

PUBLICAÇÕES

Obra Individual

Acorda Valdeci! Acorda! (Texto teatral encenado pelo grupo Educafro, direção de Marcos Xavier). 2007

Antologias

Cadernos Negros vols. 26 - 30 contos afro-brasileiros. São Paulo: Quilombhoje, 2003 - 2007.

 

TEXTOS

Helton Fesan - O palhaço no pátio

Helton Fesan - O avatar

Helton Fesan - Conto "Era madrugada e Deus falou"

Helton Fesan - Poema "Ouvindo vozes"Helton Fesan - poema "Anseios" 

 

SARAU AFRO MIX. ANTOLOGIA POÉTICA.  Organizador: Quilombhoje. [coordenação Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa.  Desenho da capa Edmilson Q. Reis.  São Paulo: Quilombhoje. Coordenadoria Especial dos Assuntos da População Negra.  2009. 80 p.  Catalogação na fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.       ISBN 978-85-87138- 28-7     No. 10 947


Flores

Não amo mais as flores
Elas que são coloridas e perfumadas
Diversas deslumbrantes
Que embalam romances,
Valorizam mães e secretárias,
Atendem esposas e amantes,
Por fim de todas se esquecem
Morrem na rotina
De suas belas mentiras
E seguem adiante.
Em tempo, dadas aos cidadãos,
Para que estes esqueçam a razão,
Jogadas aos pés de reis e generais,
Antes de mim, oferecidas aos meus pais
Que correm loucas crianças
Para abraçar a aquarela,
Acreditam nas flores
E afundam na terra,
Com a carne cravada em espinhos.
Chagas não-cicatrizadas,
Como herança, me foram dadas.
Como muitos outros fui assim,
Flores para ouvir,
Espinhos para engolir
Flores e flores sem fim.
Flor de controle, de carreira,
De família, flor de giz,
Flora de química pra me deixar ébrio,
Flor para corroer meu cérebro
Flor divina pra me iludir.
Flor de moça, flor de menino,
Todas com seus espinhos
Todas pediam um sim.
Liberto-me desse chão
Raiz de ilusão
De um fúnebre jardim.
Flores não as quero
Flores pra fora de mim.


Ficar Sozinho

É necessidade de urgência que eu fique sozinho
Totalmente só.

Gostaria realmente de estar abandonado
Em lugar nenhum.
Onde não se ouvissem vozes
Que conversam sobre o meu não-interesse;
Sem buzinas e motores,
Sem latidos persistentes,
Lugar que não houvesse cantoria
De poesia barata ou consistente
Aparelho de tv, som, vídeo, micro,
Luz piscando, apagando,
Brilho sumindo de repente.
Lugar sem hipocrisia,
Falsos sorrisos, falsos bom-dias,
Aceno de mão, vizinho ou parente.
Um buraco afastado
Bem escuro e desconhecido,
Sozinho distante e latente.
Enfim, lugar em que não houvesse gente.
Onde não perguntem como estou,
Não saibam quem sou
E não me contem quem são,
Eu e eu mesmo sem interrupção,
Sem afeto nenhum, que careça demonstração
Sem “oi”, nem “adeus”, nem “tchau”, nem “foi
bom?”
Sem gemidos nem sussurros
Apenas respiração.
Sem nada que me cause dor,
Nada que me peça amor.
Nenhuma preocupação,
Com unha, barba ou cabelo
Nem sequer conhecer dinheiro;
Sem pedintes, mendigos,
Trombadinha ou ladrão
Aids, gripe,
Câncer ou superpopulação.
Preciso com urgência desta solidão
Preciso desta solidez
Estar sozinho, ficar muito comigo
Pra gostar um pouco de vocês.  


Como Brisa

Afortunada mulher
Me consome com desejo
Que vem do ego
Na busca de seu carinho
Me sinto um cego
Mas tão remoto quanto o plágio
Tão escasso quanto a vida
Te esqueço de manhã
E meu amor se espalha em brisas
As palavras que amanheço
São “adeus e um bom dia”.

 

*
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Página publicada em maio de 2026.


 

 

 
 
 
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